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Por detrás da Janela

Joaquim, debruçado no barco, na margem do cais, com seu coração farto em desesperanças, olhava toda aquela imensidão salgada e sentia medo. Temia ir e não voltar. Em contraponto, quando Joaquim escorria os olhos para o que havia atrás de si, ele temia mais aquilo do que o mar. De quando em vez, o mundo lhe parecia um caos – mas era apenas, os olhos dele.

ritmos e moinhos de vento

Encabulado, ele a olhou com os olhos rasos d'água e mirando o vazio da paisagem que se estendia em sua frente - o menino suspirou e disse; - Como você soube? - O quê? - Que estava assim - apaixonada A menina, que sentia aquela sensação sem nome por dentro - sorriu - Eu não via mais nenhuma flor em meio ao asfalto, e mesmo assim, eu ria

Das compreensões que chegam com o tempo

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Ela que sempre buscava o porquê das coisas, agora andava lenta – forçando a mente a compreender o que seria exatamente o escape. Já havia escutado uma dezena de pessoas, falar a respeito disso; escape – mas não conseguia compreender bem o que seria e nem tampouco fazia ideia de como isso – esse tal escape – alcançaria sua vida. Era setembro, dia primeiro exatamente. Ela havia chegado exausta do trabalho, os pés cansados, a cabeça já pendendo para o lado – precisava de um banho e do fim daquele mês. Já sentia antecipadamente todas as dores das datas que ia chegar. Entrou em casa desatenta, descalçou os sapatos e então quando ia para o chuveiro sua mãe chamou-lhe. - Filha, vem ver uma coisa aqui na cozinha. Suspirando, foi. - O que é mãe? – a menina lhe indagou. E a mãe por sua vez, lhe disse; - Olhe ali naquela caixinha! E ela olhou. Seus olhos se encheram d’água. A criaturinha não possuía nem 30 dias ainda;  - Como alguém pode abandonar...

Das conversas mais sinceras

Pra onde quer que ela fosse seus olhos a acompanhavam. Observa-a enquanto caminhava vagarosamente pelas ruas – possuía um andar distraído e sempre mantinha os ombros e olhos baixos – tentando se esconder até de si mesma. Quando ela o olhava de frente, encarando seus olhos apaixonados, cuidava de desviar logo o olhar – não suportava que ele estivesse tão perto – tão cuidadoso ele era – embora ela, não merecesse, aos seus próprios olhos, seus afetos. Enquanto a olhava ele sorria se lembrando do dia em que a conheceu – seus olhos esvaíram toda tristeza que a havia tocado até ali, e então a alegria dele passou a ser a dela e a tristeza dela ele tirou. Agora isso, a menina com os olhos tristes e ele cuidando dela de longe, permitindo que ela sempre saiba que ele está com ela – mesmo que de quando em vez, sua presença e amor sejam insuportáveis. Ela ainda gosta de ouvir sua voz. Sentir seu toque. - Porque sempre eu não me conformo com você me amando tanto, não v...

Transeunte

Sentia vontade de se afastar de tudo que a distanciava de si, de tudo que a definhava, tudo que a diminuía... Mas quanto mais se esforçava - percebia, ainda mais distante aquele a quem ela costumava chamar de Deus, daquilo que ela denominava como sendo sua história. "Porque eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita bem algum: e com efeito o querer está em mim, mas não consigo realizar o bem. Porque não faço o bem que quero, mas o mal que não quero esse faço." Romanos 7: 18,19

Quando a ausência toca

Entrou em silêncio, seu rosto envergonhado fez questão de mostrar toda a sua timidez. Manteve-se quieta e com os olhos baixos o máximo de tempo quanto pôde. Em passos semi-rápidos, dirigiu-se ao primeiro banco da segunda fila de assentos – queria ouvi-lo e observá-lo de perto aquela noite. Ouviu a música, sentiu algo forte lhe incomodar por dentro – Seu rosto, logo foi tomado pelas gotas de suor que lhe escorreram – Sentia náuseas. Suspirou tentando manter o fôlego e a consciência. Quando a música parou, ouviu-o dizer: - Gostaria muito de ficar sempre em sua companhia, mas não sou de momentos, não tenho parte com aqueles que não me querem por inteiro. Seus olhos se encheram d’água e olhando para trás o viu sumindo. Sentia vontade de lhe perguntar; - O senhor volta?– Mas algo lhe impedia - sua indecisão lhe impedia. Ele, entretanto, lhe conhecia por inteiro e voltando-se a fitou dizendo; - tu sabes onde estou, foste tu ...

Baixe os olhos não...

Todos os dias, ela despertava do sono de forma leve, estranha e boa – Havia dias é claro, em que as manhãs não eram doces, contudo nada do que era amargo, duravam todas as suas primeiras horas de raios de sol. Vezenquando   era tomada por um toque que vinha de dentro dela e sentia a necessidade de colocar pra fora deixando que escorresse de seus dedos, as palavrinhas que lhe faziam tão bem. Noutras vezes, acordava longe desse toque, não sentia as linhas, nem tampouco lhe chegavam as letras, contudo, mesmo assim, o desejo de escorrer-se em estrofes lhe impulsionava a querer que algo lhe aquecesse por dentro trazendo toda aquela sensação mágica de pertencer as palavras de volta. Nesses dias, sentava-se ao sol, quem sabe ele poderia lhe aquecer os miolos, trazer as inspirações, desejava lá no fundo, ser uma árvore, teria inspiração sempre – falaria de pássaros, dos ventos bons do outono e dos Ninhos das aves, suas cores, formas, seu canto. N...