quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Baixe os olhos não...




Todos os dias, ela despertava do sono de forma leve, estranha e boa – Havia dias é claro, em que as manhãs não eram doces, contudo nada do que era amargo, duravam todas as suas primeiras horas de raios de sol.
Vezenquando  era tomada por um toque que vinha de dentro dela e sentia a necessidade de colocar pra fora deixando que escorresse de seus dedos, as palavrinhas que lhe faziam tão bem.



Noutras vezes, acordava longe desse toque, não sentia as linhas, nem tampouco lhe chegavam as letras, contudo, mesmo assim, o desejo de escorrer-se em estrofes lhe impulsionava a querer que algo lhe aquecesse por dentro trazendo toda aquela sensação mágica de pertencer as palavras de volta.



Nesses dias, sentava-se ao sol, quem sabe ele poderia lhe aquecer os miolos, trazer as inspirações, desejava lá no fundo, ser uma árvore, teria inspiração sempre – falaria de pássaros, dos ventos bons do outono e dos Ninhos das aves, suas cores, formas, seu canto.








Na calçada do outro lado da rua, a árvore olhava e sentia uma melancolia enorme. Lembrava-se das vezes em que viu a Menina com o lápis e a folha, preenchendo entre sorrisos e suores coisas das quais ela jamais poderia fazer parte.
Queria ser a menina, sentir toda a vida, poder vê-la e transcrevê-la como ela fazia. Mas jamais poderia, teria a vida vivendo nela e através dela, mas jamais no poder dos seus dedos.
A menina tinha as palavras, ainda que às vezes ela demorasse a lhe aquecer, e isso era tudo.




"Todo mundo que escreve, tem seus momentos em que as palavras lhe fogem, lhe escapam, comigo é assim, com você que me lê é assim também - por mais que tentemos, há dias em que nada consegue exprimir o que sentimos, não conseguimos fluir em linha alguma. Hoje conversando com a Babi ela disse a frase: "inspiração zero aqui hoje até plantada no sol fiquei pra ver se aquecia algo aqui" - é desses momentos de palavras que são lançadas sem pretensões que eu gosto de escrever, transcrever, produzir. - Acredito nisso que ter as palavras e poder usá-las é tudo. Mesmo que elas nos escapem por vezes.

Um comentário:

Babi Farias disse...

Estou aqui boba com a sua sensibilidade, bom saber que a minha frase tola serviu de inspiração pra você. E é bem assim mesmo que acabei me sentindo...

Beijo, Tati. :)