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A voz que ninguém ouve

--> Há pouco tempo atrás, eu estava tentando compreender, quem ou o que é o Amor e o que ele pensa nas horas vagas, quando não está/mesmo estando, amando. Então em um dia estranho, me peguei fechando os olhos e tragando o ar com força, minhas vistas escuras clarearam e tudo que me lembro é do som da voz dizendo; Imagine você as cenas: Olhos cabisbaixos, lábios secos, por dentro um coração oco. Por mais que as veias bombeiem sangue o mantendo vivo, ele se sente cada vez mais fora do próprio corpo, a cada instante que marca no tic - tac do relógio, ele se sente mais morto e vivendo, chega a quase morrer por não saber como sentir a própria essência. Traga o ar, tentando desanuviar a cabeça cheia de desassossegos e injúrias. Nada adianta, se sente cada vez mais fundo, se perdendo mais, enquanto a vida acontece fora dos seus poros . Em contraponto, noto noutro, um estado contrário; Olhos emitindo uma luz intensa, lábios vestidos com um sorriso dançante, por ...

Feito um futuro a sua espera

“O que virá depois? - pergunto então para a tarde suja atrás dos vidros, e me sinto reconfortado como se houvesse qualquer coisa feito um futuro à minha espera” Caio F. de Abreu A tarde estava completamente cinza – a parede alaranjada que sempre infestava o céu durante aquele virar de dia não se fez presente, um vento frio tocou as folhas das árvores... - Rebeca fechou os olhos, deslizou a língua nos lábios e sorriu enquanto o vento tocava-lhe suavemente a pele, o vento frio, tornavam as maçãs de seu rosto rosadas. Todos os dias, naquele mesmo horário, quando o sol ia partindo atrás das coisas, Rebeca se permitia olhar aquele inicio e fim instantâneo que se misturavam. Ela ama o virar da tarde, aquele meio fim, meio inicio que tornavam duas coisas tão completas e mal divididas; tarde e noite. Rebeca possuía um olhar bobo, gostoso, de Menina que sabia de tudo que era coisa importante. Não tinha muita idade, gostava de fazer perguntas tortas, dessas que nem Deus...

Mordidas

"[...], você me provoca achando que não há perigo. Sem conhecer a força da minha mordida, o tamanho dos caninos, você me provoca, sem esperar a picada, sem saber que ainda não inventaram antídoto pro meu tipo de veneno."Caio Fernando Os lábios se falassem sem a língua, gritaria seus desejos de sentir a pele próxima A língua se estivesse só. Sem boca, lábios e dentes, anunciaria de algum jeito suas necessidades de ser acompanhada por muitos dentes . Não falo bobagens, não me entenda mal É que não convém. Para que serve qualquer boca, sem dentes e lábios e línguas? E os três, trabalhando juntos . . . Os lábios, colados na pele Os dentes entre abertos segurando a carne macia de forma doce E a língua tocando a pele no fundo, mordiscando junto e trazendo pro paladar de dentro Todas essas sensações que ninguém sabe nomear... Mordidas.

Olhos sem cor...

Eu sempre acreditei que você fosse forte demais e que talvez devido toda essa força e independência que eu via em você, eu não teria que lidar com a sua ausência de verdade. Sim, você nunca esteve muito perto enquanto eu crescia e sonhava com boizinhos e terras cheias de capim, mas você sempre esteve aqui – desse seu jeito todo desconfortado de estar/ser dentro e fora da vida das pessoas. Vovó dizia ser o seu Jeitão, o jeitão da madeira - dizia ela, e eu, bom eu achava mesmo que você era duro na queda. Mas sei lá, do nada Deus resolveu te varrer daqui, te levou, não sei pra onde, mas levou – você na certa partiu sem conhecer o que há dentro dos meus olhos e eu, quando eu partir, vou levar esse achar que te conheço um pouco aqui dentro. Eu sempre acreditei que pessoas fortes demais não partiriam nunca, mas você se foi, e por ir, me deixou esses olhos sem lembranças – Sabe, não me recordo mais da cor dos seus olhos, mas eram cheios de emoção e medo, é o que me lembro de v...

[Re]construções

"(...) Todos caminhos trilham pra gente se ver Todas trilhas caminham pra gente se achar, né " Tudo Diferente - Maria Gadú Acordei assustado no meio da noite, passei a mão pela cama, sobre o lençol bagunçado, mas você não estava lá. Na verdade você nunca esteve lá, você apenas se deitou comigo em meus sonhos e ao acordar a realidade te rouba de mim. Andei a vida toda, um passo de cada vez, sempre tentando fazer a coisa certa e seguir o caminho correto. O medo de dar um passo fora da linha e de me perder pela estrada me fazia seguir estritamente o risco no chão e com isso eu caminhava de cabeça baixa, atento somente à linha... Mas dizem que é preciso estar distraído para encontrar o que realmente procuramos. Numa dessas minhas caminhadas de pensamentos soltos, olhos baixos e mãos no bolso, foi que eu esbarrei em você. Geralmente eu não levantaria a cabeça nem pediria desculpas, apenas continuaria meu caminho, ignorando a interrupção momentânea, mas alguma coisa, mai...

Dentro de casa

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Capítulo VI – O que ficou Toda a calma e paz que aquele jardim transmitia, saiu caminhando atrás dos passos das duas meninas, tão jovens e tão fortes dentro de si mesmas. A Sra. Que por sua vez, se encontrava sozinha e receosa pelo que encontraria dentro da caixinha amarela, limitou-se a se sentar no banco salpicado de rose e depois de vários segundos se passarem, criou coragem para abrir a caixinha – que talvez fosse o grande tesouro da filha que perdeu para si mesma. Retirou a tampa devagar, sentido uma enorme tristeza. Ali dentro, encontrou algumas fotos envelhecidas, suas mãos tremiam quando pegou uma delas, onde um bebê bonito e loiro sorria. Remexeu toda a caixa, observando com atenção cada detalhe das fotografias. No fundo da caixa, encontrou um bilhete. A caligrafia redonda e muito clara deixava as certezas do quanto fora difícil escrever aquele bilhete, todo manchado com algumas lágrimas. Dizia simplesmente: - Tive eu, que aprender a viver s...

Dentro de casa

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Capítulo V – A missão - Preciso te entregar isso... - Me entregar? Você me conhece então, querida? - Sim... Mamãe! E eu sei há muito tempo que você mora aqui Na outra extremidade do jardim, a irmã, mantinha os olhos grudados nas duas, como quem assiste a um grande espetáculo. - E sabe o que mais? - A voz de Nana se torna levemente irritada - Eu não preciso de você, não preciso que cuide de mim, apenas preciso te entregar isto. - E colocou rispidamente a caixa entre as mãos da mãe, que perdera a serenidade do outro momento e se mostrava surpresa e emocionada. Nana, girou o corpo e começou a andar rapidamente em direção as cerejeiras, com a esperança de que a irmã, ainda a esperasse ali. Abraçou a única pessoa que te dera apoio por toda a sua vida, sua irmã querida, e as duas foram caminhando de mãos dadas para longe daquele lugar. Primeiro de Muitos – Por Clara Doce histeria e Tati Tosta [re]construções