terça-feira, 4 de janeiro de 2011

[Re]construções

"(...) Todos caminhos trilham pra gente se ver
Todas trilhas caminham pra gente se achar, né "
Tudo Diferente - Maria Gadú



Acordei assustado no meio da noite, passei a mão pela cama, sobre o lençol bagunçado, mas você não estava lá. Na verdade você nunca esteve lá, você apenas se deitou comigo em meus sonhos e ao acordar a realidade te rouba de mim.

Andei a vida toda, um passo de cada vez, sempre tentando fazer a coisa certa e seguir o caminho correto. O medo de dar um passo fora da linha e de me perder pela estrada me fazia seguir estritamente o risco no chão e com isso eu caminhava de cabeça baixa, atento somente à linha... Mas dizem que é preciso estar distraído para encontrar o que realmente procuramos.
Numa dessas minhas caminhadas de pensamentos soltos, olhos baixos e mãos no bolso, foi que eu esbarrei em você. Geralmente eu não levantaria a cabeça nem pediria desculpas, apenas continuaria meu caminho, ignorando a interrupção momentânea, mas alguma coisa, mais forte do que eu, me fez despregar os olhos do chão e encontrar seu sorriso desajeitado. Desculpamos-nos ao mesmo tempo e você sorriu outra vez por essa coincidência.
A pressa que eu vestia rapidamente desvaneceu e meus olhos só tinham olhos para você. Seus cabelos eram despenteados pelo vento, seu rosto parecia esculpido em mármore, feito pelas mãos de um artista de talento incrível.
- Me desculpe – eu disse outra vez, ainda sem saber porque, talvez fosse apenas um pretexto para te manter por perto por mais algum tempo.
- Pelo o quê? – você perguntou e sua voz, clara e sem o peso da minha flutuou no ar e bailou no vento.
Será que é isso que chamam de amor à primeira vista? Mas eu nunca acreditei nesse tipo de coisa, ou melhor, podemos nos apaixonar à primeira vista, mas com o tempo essa paixão diminui, portanto prefiro me apaixonar a prestação. E você na minha frente me dominava os sentidos.
- Por ficar encarando – respondi e desviei, relutantemente, o olhar.
Outro sorriso simples e magnético brotou em seu rosto, você toda educada me disse que estava atrasada e partiu. Deixou-me sozinho com a minha linha sob os pés.
O chão sugou meus olhos outra vez e sobressaltei-me ao vê-lo. Eu estava fora da linha.
Então é assim? As coisas acontecem fora da linha? Os caminhos se cruzam para formar outros caminhos. Os pés escorregam para um novo sentindo.
Olhei para trás e percebi que enquanto mantive meus passos na direção que as regras gritavam eu não vivi a minha vida como eu queria.
Agora vou reconstruir meu caminho, meus pés e minha direção. Levantarei a cabeça e passarei a enxergar olhares e belos sorrisos. Tropeçarei por não ficar atento ao chão e procurarei com calma, por um par de mãos para aquecer as minhas, por um par de olhos profundos para eu me afogar e por aquele sorriso riscado no canto da boca para combinar com o meu.
Por mais forte que seja seu alicerce, a vida é feita de reconstruções, às vezes precisamos pôr abaixo algumas atitudes e edificar outras em seu lugar.

Deitei na cama, você já me esperava e não era sonho dessa vez. Encontrei você fora da linha que eu seguia, seu olhar grudou no meu e seu encanto me enlaçou.
Toda noite quando deito ao seu lado eu me desculpo e você, sorrindo encabulada, me pergunta o motivo e eu sempre respondo:
- Por te querer só para mim.

Primeiro texto em homenagem aos blogs em 2011. O [Re]construções é o blog da Tatiane Tosta, espero que ela e você que está lendo tenha gostado do texto. Abraços.


Rodolpho Padovani - A arte de um sorriso


Esse escrito Lindo, foi produzido pelo meu amigo Rodolpho, sem palavras pra descrever o quanto me emocionou e o quanto realmente falou de mim. Beijos - Tati

10 comentários:

Inercya disse...

Que bela homenagem essa, Tati. E logo uma primeira, hein? Quanta honra!
O texto está incrivelmente bem escrito e a história está linda.
Parabéns para ele, por escrever tão bem e pra você, por receber isto.
:*

Clara disse...

Que lindo e com uma lição incrível! Parece até que falou pra mim, que tenho mania de ser tão perfeccionista. A felicidade está quase sempre fora da linha... Isso é lindo!

Rebeca Postigo disse...

Lindo, lindo...
*-*

Bjs

Monique Premazzi disse...

Que conto lindo, Tati *-*
Um amor a primeira vista é tão conto de fadas, isso poderia acontecer com todo mundo, aposto que o mundo seria bem mais magico.

AMEI!
Alias, fiquei tão feliz que você voltou a visitar meu blog. Obrigada por todos os comentários amiga, você que é demais.

Beijinhos e se cuida <3

Juliana Santiago disse...

oie, amei o seu blog, raras pérolas que encontrei na net.
amei mesmo !!!
vou seguir o seu, e sempre estarei por aqui.
;

bjus
jmsdramaqueen.blogspot.com

Juliana Santiago disse...

naum achei o link para seguir :<

Inercya disse...

Ah, já que você não descobriu por si só, eu digo...Tem uma surpresinha pra você no meu blog ;)
;*

Jade Amorim disse...

Sabe, eu acho que nós fazemos o nosso caminho... seguir o caminho traçado por outros apenas nos leva até onde eles foram.
Eu tava assistindo Amor em 4 Atos na terça e vi uma frase assim que ficou na minha cabeça "Às vezes o que procuramos não é o que procuramos, mas sim o que encontramos."
Não faz muito sentido com o conto, não sei nem porque estou falando disso, mas me veio na cabeça quando li.
Adorei a história, a música da Maria Gadú combinou perfeitamente. Só queria saber como eles se encontraram de novo depois do esbarrão! rs

Beeijos!

Bell Souza disse...

Ele é maravilhoso mesmo!!!! Amiga, tem selo pra você no meu blog!

Au disse...

O Rodolpho sempre surpreende.
Sempre visito o blog dele e também o que ele participa com vários contos (Contos franqueados, se não me engano...) ele escreve muito bem. Ótima homenagem!
Entrei aqui pelo blog da Laura (ou Inercya). Ela soube indicar.


Beijo!