quinta-feira, 30 de setembro de 2010

E o que existe dentro da vida, que exista fora das palavras?



Capítulo IV - Final - Leia: I II III


A verdadeira história - que os homens não contam


Era uma vez um homem sem nome que vivia sozinho em seu universo/mundo mágico e inteiramente farto de palavras.

Certa manhã enquanto contemplava as histórias que as palavras desenhavam diante dos seus olhos – Resolveu por sua vez, que iria inventar/criar/escrever – sua própria história.

Com os dedos longos, manuseou a pena e riscou:

A Menina das palavras – A Flor e o Giz

E foi botando na história da Menina as coisas mais bonitas e prazerosas que ele a pudesse oferecer.

Durante muitos anos, ele tratou de preparar as condições ideais para que enfim pudesse ler a sua história em voz alta e trazer a existência física, a tal Menina das Palavras. Trabalhou por séculos, não queria nada imperfeito para quando ela chegasse. E então no dia nove de setembro de 1990 – veio a existência humana a tal Menina.

A Menina vai respirando e dissolvendo feito Giz, a alma vomitando as palavras – Vai saindo dela imagens tão belas quanto a tal Flor do campo – Dos poros sempre escorrendo tudo que lhe foi dado como herança do escritor de sua tal história que ela vai vivendo de palavra a palavra.

E não se diz Meninas das Palavras porque as palavras saem dos dedos delas. Ela não é dona das palavras, são as palavras que a dominam, as palavras que ela pertence.

A Menina das Palavras. Flor de Giz.

3 comentários:

Rodolpho Padovani disse...

Ah, menina das palavras, como eu gostei desse conto e do final mais ainda... pq as palavras te dominam e você as manuseia de uma maneira só sua, para nos dar esse gostinho bom de te ler.

Bjs Tati...

Inercya disse...

Own, nossa! Adorei esse final, Tati. Foi bem criativo e construtivo. Me encantei! Esse tal homem fez uma ótima coisa, inventando a história da menina, que um dia deixou de ficar só nas palavras e partiu para a existência.
:*

Babizinha disse...

Suas palavras fluíram tão docemente que acredito nisso... Entregar-se e pertencer, basta. Se desnuda a um mundo e se descobre e busca outros mundos. Você é fera no que faz!

Beijos
:*