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[Re]construções

"(...) Todos caminhos trilham pra gente se ver Todas trilhas caminham pra gente se achar, né " Tudo Diferente - Maria Gadú Acordei assustado no meio da noite, passei a mão pela cama, sobre o lençol bagunçado, mas você não estava lá. Na verdade você nunca esteve lá, você apenas se deitou comigo em meus sonhos e ao acordar a realidade te rouba de mim. Andei a vida toda, um passo de cada vez, sempre tentando fazer a coisa certa e seguir o caminho correto. O medo de dar um passo fora da linha e de me perder pela estrada me fazia seguir estritamente o risco no chão e com isso eu caminhava de cabeça baixa, atento somente à linha... Mas dizem que é preciso estar distraído para encontrar o que realmente procuramos. Numa dessas minhas caminhadas de pensamentos soltos, olhos baixos e mãos no bolso, foi que eu esbarrei em você. Geralmente eu não levantaria a cabeça nem pediria desculpas, apenas continuaria meu caminho, ignorando a interrupção momentânea, mas alguma coisa, mai...

Dentro de casa

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Capítulo VI – O que ficou Toda a calma e paz que aquele jardim transmitia, saiu caminhando atrás dos passos das duas meninas, tão jovens e tão fortes dentro de si mesmas. A Sra. Que por sua vez, se encontrava sozinha e receosa pelo que encontraria dentro da caixinha amarela, limitou-se a se sentar no banco salpicado de rose e depois de vários segundos se passarem, criou coragem para abrir a caixinha – que talvez fosse o grande tesouro da filha que perdeu para si mesma. Retirou a tampa devagar, sentido uma enorme tristeza. Ali dentro, encontrou algumas fotos envelhecidas, suas mãos tremiam quando pegou uma delas, onde um bebê bonito e loiro sorria. Remexeu toda a caixa, observando com atenção cada detalhe das fotografias. No fundo da caixa, encontrou um bilhete. A caligrafia redonda e muito clara deixava as certezas do quanto fora difícil escrever aquele bilhete, todo manchado com algumas lágrimas. Dizia simplesmente: - Tive eu, que aprender a viver s...

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Capítulo V – A missão - Preciso te entregar isso... - Me entregar? Você me conhece então, querida? - Sim... Mamãe! E eu sei há muito tempo que você mora aqui Na outra extremidade do jardim, a irmã, mantinha os olhos grudados nas duas, como quem assiste a um grande espetáculo. - E sabe o que mais? - A voz de Nana se torna levemente irritada - Eu não preciso de você, não preciso que cuide de mim, apenas preciso te entregar isto. - E colocou rispidamente a caixa entre as mãos da mãe, que perdera a serenidade do outro momento e se mostrava surpresa e emocionada. Nana, girou o corpo e começou a andar rapidamente em direção as cerejeiras, com a esperança de que a irmã, ainda a esperasse ali. Abraçou a única pessoa que te dera apoio por toda a sua vida, sua irmã querida, e as duas foram caminhando de mãos dadas para longe daquele lugar. Primeiro de Muitos – Por Clara Doce histeria e Tati Tosta [re]construções

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Capítulo IV – O Encontro Nana permaneceu deitada sobre a grama durante todo o resto da tarde, acabou adormecendo ali, misturando-se dentro de si suas ânsias e receios. Na viração do dia despertou com as mãos de uma senhora a afagar-lhe os cachos dos cabelos. Seu rosto tranquilo e seu sorriso suave transmitiam-lhe uma paz inumana. - Olá, minha querida, perdoe-me o atraso de tantos anos. Deixe-me cuidar de você. O que há na caixinha amarela que você não larga de nenhum jeito hein querida? Nana, ainda meio sonolenta sem se lembrar muito bem o que estava fazendo ali, sorriu com suavidade: - B-bem, é um segredo... - Eu tenho muitos segredos para lhe contar, amarelo é minha cor preferida. Nana ficou sem palavras, se sentia tímida sendo abordada assim tão espontâneamente. Levantou-se, arrumou o cabelo e a saia devagar, aprumou-se. Pegou a caixinha com certa hesitação e estendeu-a para a mulher. Primeiro de Muitos – Por Clara Doce histeria e Tati Tosta...

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Capítulo III – A cúmplice Logo identificou a silhueta familiar vindo em sua direção. Sorriu por dentro, aliviada enquanto sua irmã - cúmplice se sentava ao seu lado: - Está tudo aí dentro? - Sim está! Mas não sei se devo, sabe. -Bem, é agora ou nunca... Deixe-me ver? - Abriu um pouco a tampa e espreitou pela fresta - Acho mesmo que seria importante fazermos hoje - continuou - Você não está cansada de esperar? - Acho que sim, estou cansada. Mas isso não justifica minha decisão - talvez, eu devesse esperar um pouco mais - Mirou as águas do lago mais uma vez, como quem observa uma cachoeira de imagens, lembranças. A irmã entortou o lábio em sinal de impaciência. Conhecia Nana muito bem para saber de sua teimosia irrefutável. Além do mais, percebeu que ela estava prestes a chorar. Pensou se deveria puxar assunto sobre as cerejeiras lindas daquele ano, ou se deveria ir embora. Levantou-se em silêncio, olhou as nuvens por um instante curto e por fim falou; -...

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Capítulo II – A caixa - Aqui - cap. I A vida tão inundada de cores e sabores parecia que estava a lhe pregar peças. Já se passaram mais de 15 anos e ela ainda revive as mesmas cenas. Sem querer, ela começa a sonhar acordada e as lembranças tomam conta de sua mente e de seu coração. Uma tristeza pequena e persistente passa a coexistir naquele banquinho simples. Recortada pelas frestas do assento, a caixinha amarela que trouxera repousa tranquilamente na grama como que à espera de seu destino. Lança os olhos para longe das águas do lago, mantendo as pupilas encharcadas que insistem em vazar suas sensibilidades e emoções internas. Encara a caixinha amarela, como quem olha para um espelho – se vê. Riu-se da ironia, pois era ela a senhora do destino naquele dia. Talvez não fosse tão certa quanto ao destino que a caixinha merecia. Olhou mais uma vez para os marrecos e sorriu. Haveria de ter outras alternativas melhores do que as primeiras pensadas, talvez ela devesse esper...

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Capítulo I – O jardim Era primavera, as árvores no jardim de cerejeiras cintilavam em rosa, vez ou outra, tons esbranquiçados passavam por elas. Nana, sozinha num banco salpicado de rose, divagava sobre os piqueniques que seriam possíveis sobre aquele gramado verdejante que a cercava. Imaginou dezenas de toalhas xadrezes espalhadas sob as sombras coloridas, crianças correndo, walkmans e cheiro de hambúrguer. Ouviu um marreco cantar ao longe e por um instante, agradeceu por aquele lugar ser ainda ermo e, de certa forma, um segredo seu e de seu silêncio. Puxou e soltou o ar seguidas vezes, inalando o cheiro suave que infestava todo o lugar e lançou os olhos ao céu que se estendia todo deslumbrante acima de suas madeixas. Prendeu-se ali por alguns instantes se deixando atingir pelo vento leve e a beleza das nuvens que formavam carneiros e construções. Fechou os olhos. Por um momento, a lembrança do que viera fazer ali turvou um pouco seu espírito tão cativado pela ...