sexta-feira, 4 de março de 2016

J



Ao som Ellen Oléria, Natural Luz

Pensava nas flores que poderiam brotar de todas aquelas sementes que estavam guardadas dentro das pessoas e algumas folhas voariam com os ventos dos sentimentos bonitos de alguém também.

Júlia pensava nisso de manhãzinha, enquanto no fogão a água era aquecida para passar o café, cujo cheiro tomaria conta dos seus sentidos, lhe dando o prazer de saborear as manhãs com aromas em tons escurecidos. 
 
Doutro lado do tempo, as pessoas continuaram a guardar suas sementes de boas coisas e ao invés de fazer as manhãs florescerem, transformaram o dia amanhecido de Júlia em um acúmulo imenso nos olhos de sal e sangue, as ervas daninhas haviam tomado conta de tudo, o que ficara, era apenas dor e essa dor transformou Júlia em silêncio absoluto.

Dentro ainda do tempo de esperanças mortas e esquecidas, inúmeras outras Júlia(s), continuam amanhecendo e tendo então de simplesmente Resistir.

No som das manhãs que desabrocham doloridas no tecido de suas memórias, as Júlias ainda resistem, nesse tempo eterno que se chama refazimento.


Um comentário:

André Ulle disse...

Julia as vezes precisar ler sobre ela, para se lembrar de quem é. O maior medo é que Julia nunca mais desperte, e quando penso que ainda posso ser Julia, o coração se derrama de novo, a vida cresce.

Fiquei extremamente feliz com a Data da Postagem, não vou precisar ver fósseis da Julia, agora posso esperar Julia passar e dar um oi! ;)