terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

Você me bagunça

Até ontem, nos dias em que as rosas passaram distraídas, pude perceber nos pormenores das coisas, a beleza dos dias…

Eu continuava sempre com a minha infinita pequenez a mirar a imensidão dentro dos detalhes que saltavam diante dos meus olhos diariamente… Havia tanto da vida pra ver… Tanto disso com o que se encantar…

Apaixonei-me perdidamente algumas vezes, e em todas elas eu acreditei que finalmente o amor havia me chegado… Continuo com a máxima de que os sentimentos verdadeiros não mudam ou morrem, mas que assim como desistimos de ir há alguns lugares, por alguns caminhos… Também podemos desistir das pessoas, principalmente quando isso determina o nosso bem ou mau estar…

Até ontem, nos dias em que as rosas passaram distraídas, eu me encantei por diversas delas… Rosas brancas, vermelhas, amarelas - As rosas distraídas, por sua vez… Espetaram-me… não perceberam que as minhas mãos eram de afeto e que eu não as arrancaria de seus galhos… espetaram-me…

Até ontem…

Até que eu desisti delas...

Ontem, eu não me lembro que dia fora… No calendário manchado de café, o borrão seco me impede de ver as datas passadas com exatidão, talvez sejam as lentes do óculos que não está bem limpa… Ou apenas minha má memória…

Mas, lembro-me que fora ontem… Até ontem…

Era verão enquanto chegavas… O calor que inundava-me os poros, obrigava-me a usar shorts (curto) para ir às aulas durante a noite… E eu gostava quando o vento se fazia dançante, balançando meus cabelos no ar…

Era verão, ainda, e eu me apaixonava… Não pela estação ou pelas pessoas de signos fáceis (ou não)… Como opostos complementares…Prendia-me no questionamento do que afinal seria, aquele íntimo e volumoso interesse que dia após dia se encompridava em meu peito…

E eu, que até ontem, sentia que as rosas passaram distraídas,
esbarrei numa flor de variados perfumes…

Percebi-a
Percebeu-me…

Olhei-a...
Olhou-me…

Sorri...
Sorriu-me…

Estiquei os dedos em gestos de afeto
E era início do outono, quando aceitando meu afeto
abraçou-me…

Desejei-a…
Desejou-me…

Provoquei-a…
Provocou-me mais…

E quanto mais… Dos dias somados em sorrisos que se alargavam em meus lábios,
todos eles, inevitavelmente tinha muito da tal flor (cheirosa)

Quando eu sentia esperança… Era porque encoraja-me ante as circunstâncias
fazendo-me acreditar no que me era improvável, até então…
poder crer…

Quando sentia-me triste… Sorria-me, pacientemente falava-me,
oferecia-me com palavras e doces gestos os escapes que tornavam possível a superação…

Quando sentia-me alegre… Sentia você me mim, crescendo, floreando… Pudera dizer que foram as ocupações com a faculdade ou o deslumbramento com o novo estágio ou qualquer coisa boa que havia acontecido com a família que me alcançará e eu fiquei bem...  Mas seria, no mínimo indecente afirmar tal engano….

Era você… que me abrilhantou (como já lhe disse), você que pouco a pouco, noite após noite edificou nos meus interiores os caminhos que me ajudariam a sair dos meus abismos internos… Eu que era triste… Muito mais triste que feliz

Hoje sou gratidão…

E se ter-me tirado de todo mar de monstros em que eu vivia, não fora Amor… contento-me apenas em ter a certeza de que pela primeira vez, por um tempo tão longo e delicioso, eu consigo a permissão de afagar uma flor (perfumada), sem que ela me espete…

Obrigada Minha Linda… Te quero!



Nenhum comentário: