quarta-feira, 17 de julho de 2013

Reflexão


A gente nasce sem saber nada. Ou a gente nasce com tudo que somos?


Isso sempre incomodou a minha cabeça, por isso, eu propus a mim mesma, escrever uma reflexão sobre o assunto.



Todas as pessoas nascem inteiras!

Eu acredito.



Quando eu era criança eu vivia com a vasoura pra lá e prá cá, usava uma cadeira pra dar conta de lavar louças na pia da cozinha e mais tarde, calçava os sapatos do meu pai e suas calças pra fazer de conta que eu era gente grande.

Gostava de quiabo refogado e maças. Rodar pião, empinar pipa e jogar futebol. Andava de bicicleta com um capacete na cabeça ao morfar e me transformar no Power engher (não sei escrever essa palavra) azul. Eu curtia ele.



Assim como as comidas, eu não conhecia o gosto de nada na vida, e foi provando, experimentando o sabor, que eu descobri os meus gostos. Minhas preferências, meu paladar de um modo geral. Hoje eu sei dizer o que me apetece dentro de tudo que já provei.



Algumas pessoas, vão denominar isso, como um gosto adquirido, já que a gente passou a gostar de determinadas coisas. Mas eu acredito que não sejam, na minha concepção, são gostos descobertos, percebidos. A gente nasceu com esse paladar, o que aconteceu foi que ao provar, percebemos que nos agrada. Entende? É confuso. Mas é simples também.



A gente só pode considerar um gosto adquirido, no meu modo de ver, quando a gente se acostuma. Habitua-se ao sabor, a situação. Como se a gente, o nosso paladar não gostasse muito de sopa, mas por sermos obrigados a comer sopa sempre em determinado período da vida, a gente passe a aceitar, a se acostumar e aí a gente diz que foi um gosto adquirido porque na verdade, não é bem disso que a gente gosta.

Quando eu gosto de batatas fritas, gosto delas de todos os tipos, cubos, rodelas, recheadas, cozidas, assadas... Mas aí me vem uma questão importantíssima pra ser analisada. E as outras coisas que nos apetecem?

Livros, músicas, cenas, pessoas... Tudo são gostos descobertos, percebidos – ao menos é claro que você seja obrigada direta ou indiretamente a gostar do que não gosta. Aí pode ser que com o tempo, com seus esforços, você passe a ‘gostar’ daquilo também.



Alguns desses gostos adquiridos podem ser bons, claro que podem. Odiar chuchu e passar a gostar pode trazer benefícios a sua saúde. Mas outros não, alguns gostos adquiridos pode afastar você cada vez mais de si mesmo, viver como não quer, comer o que não quer, fazer o que não quer, ser quem não quer, e se limitar a isso porque é difícil, porque as transformações doem, porque a gente precisa mesmo ser forte e admitir que a gente ta triste e só quer chorar, é perigoso, porque a gente pode passar a gostar disso também.



Goste do que você gosta! Coma o que você gosta!



Acredito claro, tudo é relativo, nossos gostos dependem de muitas pontes de relacionamentos, envolvimentos, experimentos, contatos – mas seja como for, você sabe quem você é e eu sei de que lado eu estou. E aqui deste lado, apesar dessas pontes e abismos entre um ser e outro, eu sei do que eu gosto e dentro de si, todo mundo sabe. A gente se omite muitas vezes, diz que quer suco ao invés de coca cola ou cerveja, mas algumas dessas coisas podem ser graves.

Não é bonito quando a gente vê a grande mídia manipulando pessoas, também não é nada belo quando uma pessoa se habitua a comer arroz frio e só come arroz frio o resto da vida, não por não gostar de arroz quente – mas por ter medo de explodir a panela social ao ligar o fogo.



Não tenha medo. Goste do que você gosta.

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