domingo, 5 de setembro de 2010

E o que existe dentro da vida, que exista fora das palavras?


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Desde que me lembro estar viva/ser um ser que respira, me vejo rodeada de palavras. São elas que nos permitem a comunicação, seja escrita, seja falada, gesticulada ou lançada através de olhares. A palavra é que torna o homem, homem. Que faz do sentimento, sentimento e de tudo que chamamos de nossa vida, uma história individual que compõe a grande história da existência humana.
Com o tempo, conforme crescemos e nos tornamos o que queremos ou dá pra ser, passamos a perceber que o dicionário é na verdade, uma simples amostra do que as palavras podem ser e não do que elas são na sua totalidade. Notamos que nos homens sempre existem detalhes a serem descobertos e notados e que por conta disso, ele não pode ser definido/explicado por inteiro e que as palavras por sua vez, também não podem possuir apenas um significado exato, existe sempre um leque de detalhes a serem descobertos/sentidos, e talvez mencionados.

Desde a minha meninice eu convivo com esse universo das letras. Tenho uma paixão estranha e boa por tudo que vem assim; ‘na folha preenchida por letras’. Sinceramente, não sei exatamente como acontece o processo de criação de muitos escritores que eu aprecio, mas se tratando das palavras que eu rabisco, confesso que várias vezes, me peguei, passeando o lápis na folha simplesmente por não querer o papel em branco e risquei palavras pra preencher espaços vazios que me incomodavam.
Admito que na infância, quando eu riscava os papéis de rascunhos da escrivaninha de meu pai, eu não entendia o porquê daquelas histórias tristes ou cenas cheias de doçura/encanto e medo que saiam dos meus dedos, mas hoje reconheço que eu preenchia a folha vazia de palavras porque era assim que me sentia - vazia/só e preenchia o papel com as cenas que eu via, as coisas que sentia e alguns sonhos que nunca se realizaram. Confesso que a medita que a folha ficava farta de letrinhas eu me sentia mais leve, talvez até mais preenchida. Diga-se que então que eu tinha uma companhia; as Palavras e as folhas que as recebiam sem reclamar de minha má caligrafia.

Eu sou uma pessoa pra dentro, que não aprendi a falar, por isso digo que sou pra dentro. É comigo que falo dos meus medos, comigo que confesso minhas angústias e inquietações, mas só consigo me alcançar, quando estou assim; em palavras no papel. Por isso desse universo de palavras a sair e entrar nos meus dias.

Quando criei o blog, há três anos, eu não acreditava que duraria muito, mesmo porque meu primeiro post foi uma confissão de como eu estava, infelizmente eu o perdi quando mudei o meu blog de conta e como há três anos eu era bem mais imatura, não o tinha em arquivos ou cadernos.
Confesso que estou feliz por ter durado tanto. Tenho aprendido que embora escrever sempre tenha sido o meu ato de deixar a alma vomitar meus ais, meus sentimentos e visões a mais, eu posso fazê-lo sem apresentar aquela visão chata de sempre ler as páginas do diário: “Querido diário hoje...”.
E o fato de ser algo virtual, me permitiu me mostrar sem receios de topar com os leitores por aí, mesmo porque, embora grande parte de tudo que compõe esse blog ser a minha vida/meu eu por dentro, nem tudo são fatos ‘reais’ e isso é bom porque eu posso ver o quanto a minha escrita tem amadurecido, o quanto consigo fazer do meu ‘diário’ uma série de historinhas cheias de fantasias/realidades e sentimentos dos mais diversos tipos.

Eu sempre escrevi para eu ler mais tarde, porque gosto disso, de ter uma visão de como eu consigo me desenhar. Mas hoje admito que o blog se tornou algo muito maior que um diário. Não busco zilhões de seguidores/leitores e afins, o que quero hoje, é tocar as pessoas que tem passado em minha vida através desse espaço, fazê-las sentir ao menos um tiquinho do que se passa aqui dentro dos meus olhos.

Agradeço a todos que estão aqui. Os que me lêem com frequência, os que passam de quando em vez me oferecendo o prazer da visita e até os que só vieram e se foram como aquela estação para onde não retornamos mais. Agradeço aos recém chegados e também pela fidelidade de alguns leitores que sempre dão seu jeito de passaram por aqui. Agradeço a sinceridade dos que a possuem e admito que não gosto da mentirinha que alguns contam quando vão comentar meus textos.

Só para que saibam essa é a minha postagem de n° 451 – Dentro de todos esses escritos, 8 são de escritores que aprecio e 26 foram escrito em parcerias. Ou seja, são 417 escritos de minha autoria, mas não são os números o que realmente importa. O que quero que saibam leitores é que vocês talvez me conheçam muito mais do que quem convive comigo, porque eu posso dizer que são três anos de confidências pautadas, entre o real e o fictício a minha essência está aqui toda exposta. E como eu disse, eu não sei falar, não aprendi a me expressar desse jeito mais comum entre os homens que possuem cordas vocais que funcionam.

Eu considero a escrita o meu dom mais precioso, gosto de brincar com as palavras, de através de qualquer ponto pintar um mundo novo e hoje continuo escrevendo pra me auto alimentar/desenhar e continua sendo um diálogo entre a minha alma e meus olhos do corpo.
Confesso que já pensei muitas vezes em fechar tudo, excluir tudo, mas a gente não tem como apagar a própria história e esse blog faz parte da minha história, de quem eu sou, do que eu gosto de fazer, de como eu sinto e do modo que me mostro pro mundo.

Por isso eu resolvi não homenagear leitores, sei que um blog pra ser ‘movimentado’ precisa de vocês e por isso, já agradeci. Resolvi por minha vez escrever para as próprias palavras, é o único jeito que posso tentar mostrar através delas mesmas o quanto, as quero bem, o quanto me considero privilegiada por tê-las como minha riquezinha/minha forma de expressão e tudo o mais que elas são em meus dias.

Vou postar um texto por semana e começo na quinta feira – meu aniversário – Aceito presentes – (rsrs).
Leitores aguardem e mais uma vez, obrigada pela companhia de todos vocês.


Beijos. Blues e Poesia.

10 comentários:

Cris Souza disse...

Parabéns Tati, por conseguir fazer deste espaço um lugar maravilhoso.
Nunca vou esquecer o seu primeiro comentário no meu blog. De como eu me senti ofendida com a sua verdade e de como me viciei nessa verdade. Seus conselhos só faz elevar a minha escrita. Eu sou feliz por ter você em minha vida, em dar pedaços meus e receber pedaços seus em troca nessa nossa parceria, nessa nossa amizade tão recente, mas profunda. Pura. Te agradeço Tati por não ter desistido quando o desanimo bateu à porta e por valorizar os pequenos detalhes, porque eles é que fazem a diferença.

Clara disse...

Ah, eu identifiquei tanto! Também sou meio pra dentro, e sempre tive a escrita -e também a leitura- como companhias, como uma forma de me preencher. Você está certa quando se diz privilegiada por conhecer o poder das palavas. Eu ambém me sinto assim, às vezea acho realmente extraordinário como me sinto melhor, mais leve depois de escrever um texto.

Há pouco tempo aprendi também a apreciar o que outras pessoas comuns escrevem e esse é mais um privilégio pra mim, pois me sinto menos só ainda.

Meus parabéns! Que seu blog ainda encante por muitos aos!

Inercya disse...

Você escreveu aí que o objetivo não é ter mil leitores, mas tocar os que você possui. Digo a você que conseguiu, com esse seu texto. Em boa parte dele (considere 60%), eu me identifiquei. Fico feliz quando encontro alguém com o mesmo jeito de expressar as palavras.
E como Clara disse ai em cima, você está certa por ser privilegiada e conhecer o poder das palavras. Realmente você conhece e sabe usá-la, de forma que cativa e encanta quem lê. Deve ser difícil manter um blog por tanto tempo, mas você conseguiu e eu te admiro por isso.
Esse foi um post mais que especial. E nele, eu pude conhecer você, de maneira simples, mas conheci. Parabéns por ser tão gentil com as palavras.
:*

Rodolpho Padovani disse...

Três anos não é qualquer um que alcança esse feito, assim como não é qualquer um que tem esse seu talento de brincar com as palavras.
Talvez esse tenha sido o texto que mais me identifiquei por aqui, pois você soube se expôr em palavras da mesma maneira que eu sinto. Quando criamos um blog, não esperamos milhares de seguidores (pelo menos alguns não esperam) e com o tempo a gente se surpreende ao ver que nossas palavras cativam pessoas que nunca vimos antes e isso cria esse laço entre quem escreve e lê que só a gente entende.
Parabéns por esses três anos de sucesso, me sinto feliz de ter conhecido seu espaço e de fazer parte desse seu mundo de palavras.

Bjs =)

Rebeca Postigo disse...

Vi-me descrita algumas vezes...
Acho que colocar em palavras o que nós sonhamos ou vivenciamos é como revelar ao mundo de uma maneira distinta quem somos e o que queremos...
Quando começo a escrever sempre me pergunto o porquê de determinadas frases serem escritas e por mais que eu queira modificar o rascunho, não consigo apagá-las...
Sabe...
Quando escrevemos um novo mundo nos é apresentado e o prazer de visitar esse mundo é impagável...
Tati...
Adorei o texto e me identifiquei muito...
Estive longe daqui durante algum tempo e confesso que senti falta de te ler...
Hehehe...

Bjs

Hélen Ariane disse...

:) Nossa,
acho que descobri uma coisa aqui: Uma grande porcentagem dos blogueiros é... " pra dentro "

Pra mim, as palavras são como um divã, eu escrevo, eu leio, eu falo sozinha e derrepente percebo que, foi muito mais útil que estar em um consultório. É como um remédio. O meu remédio.
E o mais interessante é que quando escrevemos aquilo que sentimos e pensamos, descobrimos que muitos pensam e sentem como vc...
Não é necessário ter mil leitores, mas que tenham poucos que concordam com vc. (é o segredo do remédio)

Parabéns.

Monique Premazzi disse...

Por alguns momentos no seu texto, pensei que tivesse lendo algo escrito por alguém que me conhece perfeitamente, por mim.
Amei principalmente a parte que você diz que é uma menina que não aprendeu a falar, por isso confessa tudo para si, para dentro. Eu sou assim, exatamente assim.
Lindo, só tenho que dizer isso. Eu como sua leitora, admiro cada vez mais seus textos. E só um por semana?
Vou sentir sua falta!

P.s: Que bom que gostou de final de Angel, amiga. Espero que goste do de Desconhecido também.

Bom, se cuida e beijinhos ;*

Rafael Castellar das Neves disse...

Opa! Muito obrigado, então!!

Muito bem pensado e muito bem escrito...gostei!!

Beijo..

Flávia disse...

Uaaau!
Me desculpa se eu não souber muito o que dizer. Afinal, eu quase nunca sei.

E falando muito sério agora, seu blog é um dos que eu mais leio. É aquele me mesmo depois de dias sem tempo, passo por aqui leio e até deixo pra comentar outro dia, mas é um dos que mais lembro! =)
Adoro tua maneira de expressão... Acho muiito lindo esse Dom, essa sensibilidade e escrever já é uma forma de falar, então não se preocupe!

Parabéns pelos 3 anos de blog. E graças a Deus vc não fechou ele! \o/
Adoro tudo por aqui! Vê se continua nos presenteando com essa magia que sai daí de dentro. Eu, assim como os demais continuaremos aqui sempre!

Beijão! =*

Monique Premazzi disse...

Quero post ):