quarta-feira, 21 de abril de 2010

Contemplação


Os meus olhos já não se recordam das cores que estiveram diante deles naqueles primeiros instantes da primeira vez que nos encontramos face a face... Porque os olhos, não possuem memória. Minhas mãos não se lembram da suavidade de sua pele, sentida naqueles abraços ternos ou naqueles enrolar de mãos à toa... Pois as mãos, não possuem memória. Meus ouvidos falhos já não sabem qual é o timbre do som de sua doce e encantadora voz, nem se recordam de nossas conversas sem pressa... Afinal os meus ouvidos, eles não podem lembrar. Eles não possuem memória alguma. O meu corpo, os meus meios, eles não conhecem o teu corpo, os teus meios... Mesmo porque o corpo, o meu corpo, ele não sabe lembrar. Ele não possui uma memória.


Nenhum dos meus sentidos sabe quem você é. Eles mal conhecem os seus poderes sobre eles. Não fazem ideia do que existe em você. Eles não se recordam, porque os meus sentidos, eles não possuem memória, eles não sabem lembrar.


Os meus sentidos não podem lembrar, mas mesmo assim o meu ser interno, meu coração, minha alma, te reconhece muito bem. Ainda não sabendo nada a seu respeito, sabe bem dos poderes que exerce sobre todo o meu ser. Meu ser interno não necessita de memória para saber que sentiu ou para sentir novamente. Ele sente e sabe... E isso é suficiente para ele viver.


Contudo, há em uma parte do que me forma um cérebro, nele eu tenho uma memória armazenada.

Nessa memória estão guardados todos os teus detalhes...

O som da sua voz [minha melodia preferida],

A cor dos teus olhos [vislumbre mais lindo que já contemplei],

Os riscos que desenham tua face [que faz borboletas voarem em meu estômago],

A suavidade de sua pele, o tempero o calor, o sabor e a intensidade de seu toque, que emana dos seus poros, a vida.


Minha memória me faz saber o que és e o que fazes com cada parte de meu ser, contudo eu tenho plena certeza de que ainda que ela deixe de existir, ainda que eu me esqueça. Saberei que senti e isso me será suficiente para continuar sentindo e vivendo e sabendo e sentindo.


Amando você nos meus instantes de contemplação e depois.

Seus sorrisos, ainda fazem cócegas em meu estômago,

Sabe meu BEM, você ainda é meu AMOR.

5 comentários:

Mila disse...

Felizmente ou não, apesar de TUDO, o amor sempre fica. :<

Clara disse...

Mas, que lindo...
No início me lembrei de mim, que às vezes me pego tentando 'gravar' sensações para guardar para sempre certos momentos. A vida é tão efêmera! Essa é uma das únicas certezas que tenho, tudo passa. O que fica, como você bem falou, são as memórias, que nem de longe são capazes de remeter sensações, de que às vezes sentimos tanta saudade. Não sei, mas não sou capaz de me contentar...

Rodolpho Padovani disse...

Mais um de seus textos encantadores, seja pela maneira de escrever ou pela suavidade dos sentimentos.
As lembranças são tudo o que fica depois que algo ou alguém se vai, podem ser boas ou ruins, nostálgicas ou não, mas elas sempre ficam.
O amor fica? Se for verdadeiro sim, aliás, se for AMOR, sim, ele fica.

Bjs, bom fds e até mais.

Bia Carvalho disse...

Desculpe a invasão, mas eu tenho uma ótima notícia!

O Blog Amor, Mistério e Sangue está estreando sua primeira promoção!!!

O prêmio para o vencedor é o primeiro volume da Série "A guerra das Sombras"

O Livro de Dinaer
Para mais informações sobre o livro
http://www.aguerradassombras.com/dinaer.html

Você não pode perder essa super promoção!!!
http://amormisterioesangue.blogspot.com/2010/04/primeira-promocao-do-amor-misterio-e.html

Bjs e boa sorte!

Bell Souza disse...

Fabuloso. Eu seguiria outros rumos para dizer isso, mas esse seria um texto meu e não seu. é o isso obacana. escrever sobre sentimentos, mas com perspectivas diferentes.