sábado, 27 de março de 2010

[Palavras Mil]

Não é só um sorriso, é também, um saber que chorar não alimenta

Nas avenidas dos grandes centros, os automóveis deslizam amarrotados de vaidade, em cada um dos veículos que se movem impacientes, seres doentes pousam inquietos e sempre, insatisfeitos. Nos restaurantes de grande nome, espalhados por todos os lados, encontramos os sorrisos falsos e fartos dos grandes empresários, sempre famintos, querendo mais dinheiro.

Em todos os cantos do mundo, hoje o dinheiro, passou a ser sinonimo de felicidade para grande parte da população. Isso porque se vendeu a imagem de que o dinheiro compra tudo e todos. Mas essa felicidade, é um contentamento passageiro e vazio, não perdura nem na lembrança, não traz uma sensação de satisfação verdadeira, porque é uma alegria comprada, não é espontânea e nem tampouco natural. É uma felicidade de mentira, de pessoas que se esquecem desde a infância, do que é ser gente, ser pessoa.

Deparo-me com um retrato, talvez um retrato inventado, talvez um retrato tirado de fato. Sinceramente não sei e definitivamente não me importa. A vida nos lixões ou a morte nele, pra ser mais sensata, existe desde muito.

No Brasil, estima-se que 5,2 milhões – incluindo 4 milhões de crianças – morrem por ano em consequências a doenças relacionadas com o lixo. Agora pense em quantos são os milhões de miseráveis que a economia da sociedade brasileira produz por ano! E se sinta a vontade pra buscar os números desta estimativa.

A vida nos lixões, infelizmente é algo muito comum de ser visto. Devido a isso, os olhos da população não se compadecem, simplesmente, ninguém se importa ou acredita que existe uma maneira de reverter à situação e, por isso, não fazem nada.

Enquanto, milhares de pessoas, fenecem como as flores, milhares de pessoas, sorriem e choram por motivos tão banais e pequenos, que chegam a dar vergonha, não porque a dor de qualquer ser seja sem valor, mas porque a felicidade de muitos custa tão pouco, mas tão pouco que nem podemos imaginar e fazer conta.

Essa felicidade sincera, desse sorriso no retrato, é de uma pessoa, que é pessoa, que entende, que mesmo Deus ou o homem, estando permitindo toda essa desigualdade, os pequenos detalhes que colorem o seu mundo particular, as pequenas manchas que a fazem sentir algum encanto, todas as pequenas gotas de vida valorizada por si mesma a fazem pessoa de verdade. E mesmo que não seja da forma mais sonhada do mundo, ela possui o seu espaço, o seu alimento e a sua felicidade de verdade.

Só que infelizmente, essas pessoas fenecem, fenecem como as flores fenecem. Nascem e mal crescem, quando vemos já morreram. Sem sonhos, sem alimento digno e com alguns poucos, mais sinceros, momentos de felicidade.
A vida das pessoas que vivem ou sobrevivem dos lixões, infelizmente não retrata nenhum final feliz, porque o lixo não vivifica, mas adoece e mata.

Enquanto isso, muitos olham o tal retrato e dizem assim; ‘Olha, até uma pessoa que sobrevive do lixo, consegue ser feliz’, mal sabem eles, que essas pessoas, fenecem antes de descobrirem os sonhos ou as outras possibilidades que a sociedade oferece.

‘O que coloca os seres humanos da Ilha das Flores depois dos porcos na prioridade de escolha de alimentos é o fato de não terem dinheiro nem dono. O ser humano se diferencia dos outros animais pelo telencéfalo altamente desenvolvido, pelo polegar opositor e por ser livre. Livre é o estado daquele que tem liberdade. Liberdade é uma palavra que o sonho humano alimenta. Que não há ninguém que explique e ninguém que não entenda’. Jorge Furtado – Ilha das Flores




'Quando vi a imagem proposta pelo - Palavras Mil, nessa semana, vi o quanto ia ser difícil retratar um assunto, tão importante e tão conhecido por mim. Sincera, não sei se segui todas as normas, se alcancei o que a proposta oferecia, mas sinceramente, escrevi o que me veio com verdade. Todas as estimativas citadas são verdadeiras e quanto a fonte, eu participei há um tempo atrás de uma formação de cidadãos ambientais, onde foram expostos todas as condições, detalhadamente das pessoas que fenecem em meio a essa condição de sobrevivência,desde então, mesmo com o término do programa, sempre leio coisas sobre tais assuntos que envolvem o meio ambiente e o homem. Gosto muito do assunto e gostaria de conseguir fazer mais para mudar a sociedade. Obrigada a quem lê e me perdoe pela raiva das minhas linhas. É porque é um assunto que me incomoda, entristece e enraivece, sempre.'

11 comentários:

Wendy disse...

Da pra ver que se emocionou com o tema.
bjo

Chica disse...

Realmente ficou emocionante e bem emocionado o teu texto!Linda participação! É comovente mesmo!beijos,chica

Silvia C. Barbosa disse...

Triste demais essa realidade. Achei de extrema importância, esse post. Precisamos mesmo abrir mais os olhos para o sofrimento em nossa volta. Essa realidade me fez sentir vergonha, das vezes que um quase nada me leva a pensar que a vida é cruel. Nem de longe, muitos de nós sentimos o sofrimento, enquanto outros convivem com ele... Parabéns emocionou muito!

Beijos...

Clara disse...

Muito forte seu post... A desigualdade que existe nesse mundo é algo que (em alguns) causa grande revolta.

O dinheiro aliena as pessoas, faz delas reféns do egoísmo de sempre quererm mais. Sinceramnetem acho que essas pessoas também não são felizes.

Mas, delas eu não tenho pena! Eu me compadeço dessas crianças, que mal têm o que comer, que são vítimas desse sistema injusto e que, por mais que façamos, serão um enorme exército, pois a desigualdade já está entranhada na sociedade... Não há o que fazer! :(

Wilian Bincoleto Wenzel disse...

E nos auto intitulamos "racionais". Com o quadro visto em nossa sociedade atualmente chega a ser cômico ver que destrímos nossa própria espécia, nosso próprio habitat, e em busca do que? De momentos, de prazer "comprados" como você mesmo citou no texto. Dias atrás, em um momento de reflexão decidi que não ficaria mais parado vendo irmãos meus morrendo intelectualmente, ou de fome.

Estou pesquisando a fundo sobre ONG's que apoiam diversas causas humanas, nossas.

A gerra não é tão difícil de se ganhar, ainda mais quando estamos falando de um exército como o nosso, os que ainda acreditam.

Obrigado por esse texto... confesso que foi mais uma injeção de ânimo para continuar!

Ah, sim... não poderia me ir sem antes lhe agradecer pelo carinho que demonstrou em seu comentário. Muito Obrigado, mesmo! O meu abraço e o meu respeito.

Jamylle Carvalho disse...

Essa última citação q vc colocou da Ilha das Flores me lembrou quando assisti o documentário.
Um descaso total, não consegui segurar as lágrimas.
Ótimo texto (:

Bruna Bianconi disse...

Texto maravilhoso. Palmas.

Beijos

Babizinha disse...

E a frase do documentário que não sai da cabeça para distinguir que o ser humano é superior é: "o telencéfalo
altamente desenvolvido e o polegar opositor".

Ótimo texto! Parabéns pelo 1° lugar, merecido!

Beijos
;*

Tati disse...

'Não que faça diferença, porque realmente escrevo por prazer e pra aprender a crescer sempre. Mas obrigada a todos que leram e comentaram e Babi... 2° e não 1°...

Beijos a todos e Parabéns as belas exposições que vi por aí'

Monique Premazzi disse...

Parabens pelo premio no Palavras Mil *-*

Janaina Barreto disse...

Dinheiro não é sinônimo de felicidade, mas não podemos ignorar que ele ajuda um pouco, né? Só pra pra ser feliz não baste estar "cheio" por fora, mas por dentro também.

Infelizmente a desigaldade é real e gritante. Mas, o negócio tá tão ruim que fica dificil mudar. Não adianta mudar o sistema, as pessoas também tem que mudar.

Parabéns pelo prêmio no Palavras Mil ^^

Ah, eu não sei... eu gosto de usar reticências! Mas, obrigada pela sugestão. Vou tentar usá-las menos vezes :)