quinta-feira, 2 de julho de 2009

DEPOIS DE A SAUDADE MORDER A BEIRA DE MEUS LÁBIOS


Depois de a Saudade Morder a Beira de meus Lábios

Ainda era outono, uma destas tardes onde o céu se estende em um azul tão imenso que quase engole a gente, o sol fraco e quente por entre a poeira dos dias secos e bons pra andar a pé, sentindo as folhas secas ao chão fazer sons de canções familiares aos ouvidos boêmios.
Quando entrei na sala, a luz já fora ascendida e os jornais do dia me esperavam sobre a mesa ainda amarrados na borracha, a janela fechada, como sempre de uns tempos pra cá e a cortina trazendo pra dentro os raios solares que tanto me apraz. A presença de tantos objetos enche a pequena sala... Um sofá, duas mesas, um computador, uma caixa de arquivo, um revisteiro branco, duas cadeiras, três telefones... Mas a ausência de um só aperta tanto o peito que até silencia a sala... Levaram a minha companheira de sala, nas manhãs cinza ela me fez companhia, conversava comigo até, cantarolava canções de quando em vez e me prometeu que ainda me visitaria, que nos veríamos fora Dalí.
Foram dias de angústia enquanto ela estivera nas mãos de tantos outros, sendo analisada, julgada e depois devolvida, como quando as pessoas passam por uma sequência de cirurgias e plásticas.
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Desde quando ela voltou, ela não tem falado comigo.
Não come mais nada e também não conversa, tem passado os dias em silêncio e sempre que tento puxar assunto sinto o vazio da ausência de ruídos latejarem saudades de sua ronquidão.
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Podia até ficar sem se alimentar que eu não ligava, mas a saudade que sinto de sua voz macia e doce, calma e rápida que de quando em vez arrebentava as frases ao meio
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Isso me mata
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Todos os dias um pouco mais
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6 comentários:

Deize disse...

Saudade dói!

Tati Tosta disse...

.Eis o meu amor
pela máquina de fax.
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ela foi embora
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não sei se voltará em condições de
permanecer comigo
.

disse...

Nem sempre o amor pelas coisas trazem junto a saudade, as vezes vai além, é um sentimento de costume, q costuma ser mais dolorido do q o proprio amor...

Tati Tosta disse...

.e quem disse que amar doi, na verdade a dor que existe é a do egoismo quando ele insiste em tentar no persuadir a desejar a posse do outro.
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ah a saudade, é um sentimento de costume, que costuma ser mais dolorido do que a própria ausência
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Lê você me deu outro tema.
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Obrigada.

amo sua maneira cheia de detalhes de desenhar os sentimentos e os sentidos
.

O esconderijo do Pinico disse...

Forte e bom teu sentimento, ainda que triste.

Tati Tosta disse...

.Importantes e sinceras as suas palavras.

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Obrigada Ulle
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eu ainda amo você!